Modelo diferenciado de jornalismo que tem como propósito contribuir para a transformação da sociedade e o desenvolvimento pleno do potencial humano, aplicando princípios da psicologia positiva na maneira como pauta e reporta a realidade.
É uma das novas tendências emergentes que traz para o jornalismo um novo propósito-matriz, diferente do que governa essa atividade desde sua configuração moderna – tal como o entendemos hoje – no século XIX. A função principal do jornalismo, por essa via clássica, é contribuir para o bem estar da sociedade e a preservação da democracia, exercendo essencialmente um papel fiscalizador da vida pública. Daí o surgimento do jornalismo investigativo.
O lado sombra dessa postura é que o jornalismo convencional tende a focar em demasia os problemas da sociedade, ignorando em muito o foco nas soluções. Ao mesmo tempo, adota uma visão de mundo demasiadamente limitada, baseada em modelos científicos de percepção da realidade que hoje se revelam parciais ou insuficientes frente a avanços extraordinários da própria ciência de vanguarda. Pior ainda, esse viés do jornalismo clássico tende a provocar no receptor, na maioria dos casos, estados emocionais e psicológicos que não contribuem para a ampliação de horizontes do indivíduo no entendimento do real. Ao contrário, congelam a visão, estancam o entendimento.
Distintas iniciativas no campo jornalístico, nas últimas décadas, buscam oferecer alternativas para a prática de um jornalismo melhor sintonizado com os avanços extraordinários do conhecimento que ocorrem em ilhas de vanguarda e se disseminam por toda a sociedade. Minha proposta do Jornalismo Literário Avançado, desenhada gradativamente desde a década de 1990, vai nessa direção. Tudo começou com o que denominei “narrativas de transformação” e depois “jornalismo de transformação”. Você pode ler um texto original dessa formulação, que publiquei certa vez no site da Agência da Boa Notícia – https://boanoticia.org.br/, aqui.
O jornalismo construtivo em si começou também por esse caminho de se procurar atualizar o jornalismo com a incorporação, aos seus princípios e à sua prática, de novos conhecimentos que estão surgindo em diversas frentes da ciência, transformando radicalmente nossas bases de entendimento da realidade. As pioneiras desse campo, Cathrine Gyldensted e Karen McIntyre, assim o definem:
“Propomos expandir as fronteiras do processo jornalístico introduzindo e definindo o conceito interdisciplinar de jornalismo construtivo – uma forma emergente de jornalismo que compreende a aplicação de técnicas da psicologia positiva ao processamento e produção de notícias, num esforço para gerar cobertura produtiva e envolvente, ao mesmo tempo mantendo-se fiel às funções essenciais do jornalismo”.
O ponto de partida foi a Dissertação de Mestrado – Innovating News Journalism Through Positive Psychology – defendida por Cathrine na Universidade da Pensilvânia, em 2011. Desse estudo, a disseminação da proposta cresceu, graças principalmente a essas duas pioneiras, para iniciativas tanto no campo acadêmico quanto nas redações, nos Estados Unidos e na Europa, em países como a Inglaterra, Dinamarca, Suécia, Holanda, Suíça, França. É um crescimento ainda modesto e lento.
Pela sintonia entre o JLA e o jornalismo construtivo, penso em desenvolver trabalhos – cursos digitais, por exemplo – que integrem as duas abordagens.
Aqui, o mapa mental que é a minha leitura-síntese do jornalismo construtivo.