Reflexão luminosa sobre a escrita de memórias

EDVALDO PEREIRA LIMA – PUBLICADO EM 22/08/2018

‘Raramente as notícias são tão interessantes quanto as forças que as movem’ (Foto: Štefan Štefančík/Unsplash)

Jean Guerrero, jornalista americana de ascendência mexicana, autora do livro  Crux – A Cross Border  Memoir , faz uma reflexão interessante  sobre esse gênero de texto, num artigo para Signature, do qual extraio e traduzo livremente este trecho:

“O que torna um  livro mais valioso do que as notícias de imprensa é sua extensão temporal; fala de algo imutável nas espécies. Os grandes, como Paula, de Isabel Allende, são atemporais. Em sua memória, Allende explora sua história familiar que se desenrola em meio a um turbilhão político no Chile, mas o que a motiva é o desejo não de fazer um protesto político importante, mas salvar sua filha agonizante. Ouça, Paula, vou lhe contar uma história para que quando você acordar, não se sinta tão perdida. Um dos maiores desafios ao escrever memórias é tornar nossas histórias pessoais relevantes para o mundo à nossa volta, sem deixá-las submergir pelas manchetes.

Raramente as notícias de atualidades são tão interessantes quanto as forças que as movem. Quanto mais pessoal o motivo para escrever um texto de memórias, mais fortemente iluminará os motivos ocultos dos outros. Não quero sugerir que uma decisão política ou um evento noticioso não possa devastar uma vida ou que não deveria ser incluída na memória. Mas as notícias de atualidades são sintomas do passado. Os padrões recorrentes que as alimentam podem formar um diagnóstico. Esses padrões residem dentro de nós.”

Leia a reflexão completa de Jean Guerrero aqui.

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