COMUNICAÇÃO CONSTRUTIVA PARA UMA SOCIEDADE CONSCIENTE 2 Ressonância Pandêmica na Comunicação

Processo vital da existência e sistema complexo de produção de conteúdo nas sociedades contemporâneas, a comunicação seria inevitavelmente afetada, como foi, pela turbulência transformadora da pandemia que, tsunami transportando esse drama narrativo épico de vida e morte, faz balançar as bases da civilização contemporânea tal como nós a conhecemos.

O tema é literal, para indivíduos e povos, metafórico para esse mundo globalizado, consumista, materialista, mecanicista que criamos. A luta titânica em progresso, sob uma ótica larga de tempo, é mesmo desse confronto entre a extinção e a transformação, o conflito consciência X inconsciência, evolução X estagnação explodindo, como larvas incandescentes, da boca do vulcão. Implacáveis, atuam travestidas de partículas invisíveis minimalistas invadindo as entranhas dos seres e o coração partido da sociedade.

O primeiro setor do mundo da comunicação atingido pelas ondas avançadas e disruptivas do tsunami foi o jornalismo. As águas poderosamente turbulentas que chegaram à terra são mescladas, limpas e sujas, cheias de detritos do mar e daquilo que arrastam, inapeláveis, para a costa. Parte é constituída de intenções inconfessáveis de manipulação da opinião pública por parte de governantes – como no Brasil e nos Estados Unidos – que mentem, escondem, falsificam, adulteram, constroem as “verdades” de sua conveniência. Parte é fruto de uma reação psicológica genuína da população, em defesa de sua sanidade psíquica frente à avalanche de assalto ao equilíbrio interior que o jornalismo pode provocar. Parte resulta de uma reação de autocrítica e lavagem doméstica de roupa suja na própria comunidade jornalística.

Antes de avançar, enfatizo a importância fundamental do jornalismo para a democracia e para o bem estar da sociedade. Nesta nossa era de fake news, de fascistas que governam tentando guilhotinar a verdade e calar a liberdade de expressão, de grupos diversos que geram uma guerra vil de informação e contrainformação, deixando a opinião pública confusa e perdida, é essencial para as sociedades um jornalismo forte, independente do Estado, tanto quanto possível imparcial. Para que investigue, informe, analise e produza conteúdo o mais corretamente centrado na verdade mais sólida conhecida a cada momento, mais sensivelmente vital para a sociedade como um todo. É dever honrável desse jornalismo comprometido com a responsabilidade civil questionar, confrontar os discursos e os atos nada transparentes e escusos de poderosos e cidadãos, comparar as diversas versões de verdade, divulgar o que soar, sobre bases aceitáveis de fontes mais conscientes, como o certo e o justo.

Acontece, porém, que o jornalismo clássico – assim como todas as atividades convencionais que ocupam o centro da nossa cultura – é filho do paradigma reducionista e fragmentário que molda nossa visão da realidade por um filtro míope, focado nas coisas concretas. Filtro nada afim do entendimento processual, dinâmico, complexo e integrado que precisamos incorporar urgentemente se queremos de fato contribuir para o projeto humano na Terra evoluir. Essa mentalidade governante se consolidou no jornalismo lá pela metade do século XIX, deixando de acompanhar os extraordinários avanços revolucionários do conhecimento que ilhas de excelência das ciências estão nos proporcionando desde a metade do século XX. 

O jornalismo mudou muito nesses quase dois séculos de caminhada, mas a maior parte da sua mudança é cosmética. Fica restrita à aparência visual, à pirotecnia de uso dos recursos modernos de comunicação, à incorporação da tecnologia digital. Mas se você chacoalha o conteúdo por trás e para dentro da superfície rasa, muitas vezes encontra o pó acumulado do passado. Um vovô petrificado que se veste de jovem pop, mas cujo olhar por detrás de grossas lentes está esmaecido pelo tempo.

Um princípio basilar desse jornalismo é o entendimento de que a única função nobre da imprensa é fiscalizar, investigar e denunciar as mazelas do lado podre deste mundo. A crença é que a exposição pública do lado corroído da alma humana, dos poderes e da sociedade, provoca indignação. Portanto, alavanca mudanças para melhor. Um triste subproduto desse princípio é a ideia de que “notícia boa é notícia ruim”.

 Essa mentalidade gerou um vício institucional e uma distorção de postura. Boa parte do jornalismo enquanto atividade e dos jornalistas enquanto profissionais, assentaram-se numa atitude cínica, crítica em demasia que só enxerga e dá vazão ao lado ruim das coisas. Como essa posição carrega uma acomodação preguiçosa de que “notícia ruim é que vende jornal”, a crosta energética coletiva desse campo é carregada dessa morbidade intelectual dos veículos jornalísticos estarem pesadamente jogando no inconsciente coletivo uma carga brutal, contínua e demasiada de negatividade. Um lixo psíquico que prejudica a saúde de indivíduos e povos. A visão de mundo que a maior parte da imprensa dissemina é parcial, unilateral, trôpega, pois sua cultura de percepção da realidade é fragmentada, separatista, mecanicista, estanque. Falta-lhe cultura sistêmica. Falta-lhe abrir-se para perceber e compartilhar um cenário integrado, complexo, holístico, do real.

A postura canhestra da mídia em sua visão de mundo, exacerbada na cobertura da pandemia, ficou exposta à luz do meio dia. Reclamações e críticas a essa tendência batizada de “sinistrose” despontaram em lugares de intenções dúbias, como nos palácios de governos interessados em controlar unilateralmente a comunicação pública, mas também explodiram, por reação espontânea e desabafo genuíno, em casas de cidadãos anônimos soterrados psiquicamente pela avalanche de imagens e notícias de mortes, colapsos do sistema público de saúde, ações humanas deploráveis diante do drama que enfrentamos, e muito mais. Não se trata aqui de que essa realidade não devesse ser mostrada. Deve, é função defensável da imprensa. Mas e o olhar para o outro lado da questão, o dos eventos genuínos, de conteúdo positivo, muitos dos quais brotam no coração da população anônima distante dos centros de poder?

Esse desequilíbrio entre o volume, a frequência e a intensidade de conteúdo negativo e conteúdo positivo nos meios de comunicação é questão que a comunidade profissional relutou muito em encarar de frente, evitando um desejável e salutar processo de autocrítica, cura e transformação. Creio que uma parte dessa rigidez, no passado, se devia a uma cultura do campo jornalístico clássico muito alicerçada em poucas – e todas demasiadamente cartesianas, materialistas – áreas de conhecimento próximas, como a sociologia, a teoria política, a filosofia clássica, no máximo. Excessivamente conservadora, a cultura jornalística não se abria para horizontes mais arejados. Não tinha flexibilidade de espírito para voos de exploração em campos de conhecimento de propostas ousadas, inovadoras, como a psicologia humanista, muito menos a física quântica, a neurologia de vanguarda, as ciências que partiram em busca dos estudos da consciência.

A pandemia traz à tona a informação de que iniciativas da própria comunidade jornalística para corrigir e redirecionar esse eixo-base já existem. Crescem, ainda tímidas, estruturadas em novas bases epistemológicas. Pelo menos no exterior. São os casos das propostas do jornalismo de soluções e do jornalismo construtivo.

E não são de hoje. Já vem acontecendo há algum tempo, pois a crise de mudança de paradigmas é fenômeno que tem partida mais evidente há uns 50 anos, embora começasse a se refletir no jornalismo bem mais tarde. E tem presença igualmente no Brasil.

Pedindo licença ao leitor, pois longe de mim qualquer intenção cabotina, conto uma contribuição pessoal nessa direção. Desde o início da minha carreira acadêmica, quando fui fazer Mestrado na USP, no final da década de 1980, defini o segmento do jornalismo literário como meu nicho de desenvolvimento profissional. Mas além de resgatar essa tradição jornalística para a comunidade acadêmica brasileira, pois estava esquecida por aqui, pretendia contribuir para a renovação e expansão dessa modalidade jornalística tão especial. Percebia a fragilidade da base epistemológica do jornalismo, toda assentada nos paradigmas envelhecidos do século XIX. Na Dissertação de Mestrado, propus um modelo teórico de compreensão e prática do jornalismo fundado na Teoria Geral dos Sistemas.

Na Tese de Doutorado, segui mais ousadamente adiante. Propus um conceito de “narrativas de transformação”, batendo na tecla de que o jornalismo se resumir a apontar problemas é insuficiente, empobrece seu lugar e sua função de honra na sociedade. Insisti em que o jornalismo pode e deve investigar problemas, sim, mas que precisa caminhar mais à frente, entrando no território das soluções.

Ancorei minha abordagem no princípio de valor moral de que o comunicador precisa assumir responsabilidade perante si mesmo, seu veículo de comunicação, o receptor e o público geral, com relação ao efeito de suas mensagens sobre os indivíduos e a sociedade. Para compreender esse efeito, parti para estudos de recepção de mensagens na área da psicologia.

Encontrei no trabalho do psicólogo social Dante Moreira Leite algo substancial. Examinando a literatura de ficção, Dante constatou que a obra literária provoca um distúrbio momentâneo – ou duradouro – na psique do leitor, uma espécie de desequilíbrio que deve se recompor, num novo equilíbrio, ao final da leitura. Isso porque a mensagem literária transporta uma visão de mundo particular, interfere na respectiva base de visão do leitor. Por força dessa interferência, pode gerar dois tipos possíveis de estado mental e psicológico.

O primeiro é o que Dante denominou “pensamento produtivo”. A narrativa entrega ao leitor um quadro mais amplo, integrado, complexo e positivo da realidade, expandindo o horizonte de percepção do indivíduo. O estado psíquico é de catarse transformadora, de bem estar e entendimento de si mesmo e do mundo. Não se trata de uma abordagem rósea, camufladora da realidade, mas sim de uma abertura de visão para a justa configuração de um cenário pleno, onde a condução narrativa do conflito-guia da história ultrapassa o nível do problema, mesmo que difícil e pesado, alcançando uma solução.

O segundo Dante chamou de “pensamento destrutivo”. É o efeito da narrativa de estreita visão de mundo, centrada apenas na polaridade das possibilidades negativas das coisas. O leitor é levado por uma trama que fica presa ao problema-condutor da história, pela impossibilidade de o autor conduzi-lo a um nível de percepção que abarque igualmente a polaridade positiva, sempre atrelada a tudo o que existe, mas que esse tipo de comunicação falha em enxergar. Não há solução para o problema. A narrativa fica presa a um túnel sem luz alguma no final, a um beco sem saída. Cul-de-sac. Então o protagonista de “O Passageiro – Profissão Repórter”, clássico do cinema de Michelangelo Antonioni, dominado pelo horizonte estreito e único pelo qual encara sua situação, mata-se ao final do filme. Desculpem-me pelo spoiler.

Ficou óbvio para mim que o segundo caso, predominante, presta um serviço à involução da consciência das pessoas. E o que primeiro, ao contrário, serve de estímulo ao impulso de evolução da consciência. E que a mesma situação se daria no jornalismo. Daí apliquei o estudo no jornalismo literário, alinhando-o ao princípio de responsabilidade do autor, um dos pilares filosóficos dessa modalidade jornalística.

Avançando mais, advoguei que não bastava ao jornalismo literário, para se atualizar, apenas abrigar narrativas que abordam um problema e seguem adiante, contemplando igualmente soluções. Propus que seria fundamental a incorporação de novos paradigmas, muitos desses que eu via despontar em distintos campos da ciência de vanguarda, revolucionando de maneira vigorosa o conhecimento contemporâneo.

Daí a inclusão, na Tese, do início da década de 1990, do que denominei caminho para um jornalismo holístico. Isso iria prosseguir, ao longo da minha carreira de docente e pesquisador – na USP e fora dela, inclusive na condição de professor-convidado em universidades do exterior, compreendendo também a Universidade de Toronto, onde realizei estudos de pós-doutorado compartilhando meu know how na arte de contar histórias de vida – e de jornalista praticante, para a formulação do que batizei de Jornalismo Literário Avançado. O JLA tem base transdisciplinar – sua fonte de conhecimento procede das ciências, das tradições, das artes, da filosofia – e incorpora, entre outras, três adaptações que fiz de conceitos e princípios de outras áreas: a Jornada do Herói – trazida da psicologia humanista e da mitologia -, o método de escrita criativa que desenvolvi, o Escrita Total – e elementos da psicologia junguiana, além do princípio de neuroplasticidade, importado da neurologia de ponta aplicada ao desenvolvimento de criatividade.

Avanços similares no exterior?

Duas iniciativas deste nosso século XXI são destaques. 

Na Dinamarca, a Universidade de Aarhaus sedia um trabalho de disseminação cultural do denominado jornalismo construtivo – https://constructiveinstitute.org -, muito baseado no trabalho pioneiro do jornalista Ulrik Haagerup. Desse país também procede outra pessoa pioneira, Cathrine Gyldensted, que junto com Karen McIntire, introduziu nessa linha jornalística elementos da psicologia positiva.

 Proposta inovadora, a psicologia positiva tem base epistemológica muito distinta da psicanálise ortodoxa, por exemplo. Enquanto essa, limitada pelo paradigma reducionista de seu tempo, está muito focada nas patologias humanas, a positiva enfatiza o potencial psíquico sadio do ser através de técnicas específicas que o ajudam a transformar emoções castradoras em ação energética realizadora. Cathrine e Karen advogam que o uso desses recursos auxilia o jornalista a enxergar o mundo sob um olhar pleno e produtivo. Resultam daí matérias que retratam soluções.

Nos Estados Unidos, a Solutions Journalism Network –  https://www.solutionsjournalism.org -, com sede em Nova York, capitanea a disseminação cultural dessa iniciativa, o jornalismo de soluções. Produz matérias que abordam soluções reais para os problemas sociais. Sua intenção é que sirvam de inspiração transformadora para a sociedade.

Essas três iniciativas têm propósito comum, mas apresentam diferenças em aspectos secundários. O jornalismo de soluções, a meu ver, é algo conservador, tímido, no sentido de que só pauta assuntos que tenham casos de solução comprovados. Fica, assim, um pouco reduzido na tarefa de apresentar soluções novas de vanguarda que estejam em sua fase inicial de desenvolvimento. O construtivo, embora tenha embarcado na absorção do conhecimento de ponta que a psicologia positiva lhe trouxe, parece-me tímido, ainda, em experimentar e incorporar avanços igualmente válidos de outros campos do conhecimento.

O Jornalismo Literário Avançado, a seu turno, transporta o mesmo propósito unificado das três iniciativas – contribuir para a transformação da sociedade, inspirando a expansão de consciência das pessoas -, adota procedimentos parecidos ao de jornalismo de soluções e ao do jornalismo construtivo, mas utiliza uma linguagem narrativa mais apropriada para causar impactos transformadores. O eixo de sua expertise de comunicação é a arte do storytelling, desenvolvida a seu estilo narrativo próprio, no seu contexto dinâmico de produção de conhecimento centrado em pessoas. 

É também mais ousado e proativo do que as outras duas linhas, quanto a não apenas apontar soluções, mas a abordar proativamente, até de modo especulativo, avanços em progresso dessas novas abordagens científicas apoiadas em paradigmas revolucionários, altamente diferenciados quando em comparação com os modelos mentais da ciência convencional. 

Seu mapa de pautas envolve distintos elementos constituintes de capítulos dessa narrativa mítica em desenvolvimento: a grande epopeia do salto de consciência da humanidade – ou não – que começou talvez nos anos 1970 e não sabemos quando – e se – vai se completar. Esse mundo narrativo compreende grandes personagens que fazem diferença, impulsionando nosso olhar para direções de longo alcance. Fritjof Capra, Edgar Mitchell, Joe Dispenza, Vishen Lakhiani, Nassim Haramein, Lynne McTaggart, Jean Houston, tantos homens e mulheres de visão. Abrange centros de pesquisa que se lançam em estudos de possibilidades radicalmente revolucionárias, como o efeito da mente sobre a matéria, tal qual o Instituto de Ciências Noéticas – https://noetic.org – e o campo unificado, como faz a Resonance Science Foundation – https://www.resonancescience.org –, propondo a nova ciência da ressonância. O JLA não precisa ser reativo, ficando a reboque de fatos e ocorrências que reverberam no centro da sociedade, para poder acontecer. É proativo, antecipa tendências, dá voz aos rebeldes do conhecimento que estão trazendo o novo para a humanidade.

Veículos importantes no mundo praticando algo dessas novas formas de jornalismo?

O tradicional The Guardian, inglês, reserva um caderno especial semanal, The Upside, –   – https://www.theguardian.com/world/series/the-upside – só para matérias com esse teor, comprometendo-se em entregar “um jornalismo que busca respostas, soluções, movimentos e iniciativas que abordam os maiores problemas que assolam o mundo”. O New York Times produz a coluna seminal The Fixes – https://www.nytimes.com/column/fixes – prometendo “mostrar soluções para problemas sociais e porque funcionam”.

No meio exclusivamente digital, o portal holandês BrightVibes – https://www.brightvibes.com – tem como missão “amplificar o bem do mundo”, enquanto o norte- americano Reasons to Be Cheerful – https://reasonstobecheerful.world – apresenta-se ora como um “tônico para tempos tumultuados”, ora como “um livro de receitas para soluções. Sem restrições dietéticas”.

No Brasil, há iniciativas isoladas, intuitivas, talvez não tão estruturadas conceitualmente, mas que louvavelmente contribuem, mesmo assim, para as transformações que se espera o jornalismo seja capaz de fazer. O portal Só Notícia Boa – https://www.sonoticiaboa.com.br/ – apresenta-se como o “primeiro portal de notícia boa do Brasil”, enquanto o Jornal de Boas Notícias – https://jornaldeboasnoticias.com.br/ – vai no mesmo caminho que o título anuncia.

Pratico o JLA, hoje em dia, em textos esporádicos nos meus canais de mídia social e nos livros. As obras mais recentes são narrativas biográficas, numa simbiose dos gêneros biografia, perfil, memórias, como no caso de “O Mentor” (a biografia-perfil de Roberto Shinyashiki), “Maestro de Voo” (a história da Azul, a empresa aérea, e seu primeiro presidente-executivo, Pedro Janot) e a história de vida de Joelmir Beting, o mais influente jornalista de economia neste país, em todos os tempos, livro que poderá ser lançado ainda este ano.

Integrei recentemente todas essas abordagens numa proposta conceitual e método que denomino Comunicação Construtiva. Abrange outras áreas da comunicação, além do jornalismo, sempre centrado na narrativa, como o cinema, o documentário, a comunicação organizacional, a literatura de desenvolvimento pessoal, o uso do storytelling em projetos transformadores por parte de líderes no mundo do trabalho e dos negócios, as histórias de vida, as memórias institucionais. 

Trago para essa nova abordagem um elemento importante oriundo do Jornalismo Literário Avançado. A Comunicação Construtiva é uma arte narrativa centrada na pessoa. Para melhor entender os personagens de suas histórias – reais, ou baseadas na realidade -, convém ao comunicador ampliar seus processos de percepção e criação, desenvolvendo todo o seu poder cognitivo. Isso inclui, além do pensamento, a inteligência emocional, a intuição e outros prováveis sentidos mais sutis. Isto significa que o desenvolvimento das habilidades profissionais caminha ao lado da ampliação do autoconhecimento.

Instrumentos para isso?

Práticas e técnicas que procedem de avanços da nova ciência, como as cinco básicas resultantes das pesquisas da inteligência do coração e da sincronização coração-mente, desenvolvidas pelo HeartMath Institute. Por sinal, quando publico este texto, o instituto está oferecendo um curso virtual gratuito dessas técnicas, com legendas em português. A oferta é por tempo limitado. É correr para ver – https://www.heartmath.org/ – e experimentar, mesmo que seja para manter a saúde mental em meio aos desafios da pandemia que ameaçam nosso equilíbrio psíquico.

Avançando um pouco mais, há pouco convidei comunicadores a constituirmos uma rede privada, um fórum virtual de diálogo e ações sobre esse tema. Nasceu há dias a Comunicação Construtiva Network.

Concluo considerando que o processo transformador que vinha em marcha lenta e se acelerou durante a pandemia, ainda tem muito caminho a percorrer. Nada de ilusão que a transformação profunda desta nossa sociedade caótica vai se dar da noite para o dia. O mundo velho vai resistir o quanto pode – e ainda pode muito – ao novo. O desfecho desse drama épico maior da transformação de consciência, do qual a pandemia é um capítulo apenas, embora de impacto estrondoso, talvez esteja muito à frente, ainda, no tempo.

A missão que o destino nos impõe, creio, é nos dedicarmos, intensos, ao momento presente, tocados por um propósito nobre e pelo vislumbre de que um horizonte de plenitude poderá surgir nesse amanhã ainda distante, talvez. O dilema-desafio é fazer a nossa parte sem sabermos se alcançaremos esse Shangri La no nosso tempo individual de vida, cada um.

A única certeza que temos, nesse mar de dúvidas e pouca clareza do futuro, é que se, não respondermos ao nosso chamado individual de contribuição para o Todo, teremos talvez desperdiçado nossa dádiva da vida. Teremos contribuído, quem sabe, não para a evolução, mas para a estagnação desta possibilidade atual de um salto de consciência magnífico. Um salto que a humanidade jamais experimentou antes. Um salto da espécie que precisa ainda crescer muito em sabedoria e humildade para reconhecer que é apenas uma das muitas que têm o privilégio de experimentar viver neste planeta. Mas não tem o direito, insano, de destruir o que a Existência ofereceu para todos. Tem de provar-se merecedora de ativação do seu potencial mais sublime. Despertar-se.

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Se você, profissional da comunicação ou não, tem interesse em se aprofundar nesse tema, informo que em breve anunciarei, para junho, meu webinar-curso introdutório virtual de Comunicação Construtiva. Ingressos serão vendidos pela plataforma Sympla. Fique atento. Siga-me nos canais sociais.

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15/05/2020 

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