Experimentos de Poder

A revolução de conhecimento que sacode nossas crenças sobre a realidade coloca nas mãos de cada um e todos o desafio de testarmos nosso poder criador do próprio destino.

Edvaldo Pereira Lima

A jornalista americana Lynne McTaggart passou alguns anos da carreira escrevendo sobre ciência.  Nesse campo, movida pela necessidade de se curar de um problema de saúde, deu especial atenção à Medicina. Nas duas frentes, porém, Lynne tinha predileção por abordagens pouco ortodoxas.

No caso de sua questão pessoal, viu-se impelida a buscar solução em abordagens alternativas ou terapias complementares, algumas delas inovadoras, que estavam despontando na década de 1980.  No caso da cobertura das outras áreas da ciência, sentia-se atraída por uma revolução cada vez menos silenciosa que crescia nos laboratórios, tradicionais ou alternativos, que desenhavam propostas e modos de atuação científica diferentes dos modelos predominantes adotados.

Quando se pensa a ciência, de fora da comunidade científica, geralmente se imagina que seja um campo de conhecimento monolítico, uniforme.  Mas quando você se aproxima, tira o zoom e faz um mergulho para dentro do coração desse universo, percebe que na verdade há pelo menos dois grandes campos de ciência.  O primeiro, clássico, predominante, é uma ciência que tem como base epistemológica – seus paradigmas ou modelos mentais governantes – uma visão materialista, concreta, objetiva, da realidade. Um de seus modelos é uma perspectiva mecanicista da realidade. Ou seja, tudo é examinado à luz comparativa de uma máquina.

A ciência, é bom que se esclareça logo, tem por objetivo conhecer a realidade de tudo o que existe e saber como tudo funciona.  Assim como faz a filosofia, como fazem as tradições – incluindo as religiões -, como as artes.  Cada campo de conhecimento desse a seu modo, com seus métodos. A ciência ganhou predomínio na sociedade, porém, conquistando um status privilegiado de que a verdade das coisas que valorizamos de fato é aquela comprovada cientificamente, pelos números, pela estatística, pela repetição controlada de processos que se confirmam.

Acontece, porém, que o modelo de ciência predominante, desde quando Isaac Newton (1642-1726) contribuiu para levar a física clássica ao pedestal de mãe de todas as ciências, com sua visão materialista de mundo, passou a ser questionado pela emergência no século XX de outros modelos. 

A Teoria Geral de Sistemas, por exemplo, que da biologia se expandiu para outras áreas, mostrando que ao contrário da visão clássica, a realidade de um conjunto de elementos não é igual à soma das partes. O sujeito boa praça, amigão de todo o mundo no trabalho, pode ser o assassino ensandecido que na multidão de uma torcida de futebol fere de morte o torcedor adversário com o estandarte do seu clube.  Surgem comportamentos, ali, que decorrem da condição única e exclusiva daquele ambiente coletivo e que não estão obrigatoriamente, armazenadas de modo explícito nos indivíduos.

E a física quântica, que mostrou que a realidade não se resume ao mundo físico, concreto e palpável que habitamos.  Transcendendo a matéria, existem as outras dimensões da realidade, numa classificação que o cientista David Bohm – por um tempo foi professor visitante da USP, a Universidade de São Paulo – denominou um dia de ordem explícita – o mundo material, objetivo – e ordem implícita – o mundo subjetivo, das realidades energéticas.

Diversas outras abordagens diferenciadas como essas duas foram acontecendo ao longo do século passado, a ponto de termos, agora neste século XXI que avança pelo tempo, um conjunto de modelos diversificados que caracterizam uma nova ciência, não mais baseada numa visão linear da realidade, mas sim numa visão múltipla, complexa. A visão de que a realidade material, o mundo que vemos, é fruto de um processo sofisticado em que o que acontece nesta dimensão concreta tem início, como ideia ou possibilidade de manifestação, no mundo invisível das energias.

Soa estranho para você, leitor?

Como boa pesquisadora da realidade, Lynne passou a investigar as descobertas de cientistas de vanguarda em torno de questões delicadas e controversas como esta: a mente de fato afeta a matéria?  É possível você projetar mentalmente uma intenção de cura e isso ajudar efetivamente uma pessoa que esteja às voltas com uma doença?

Tocada pelo que foi descobrindo, Lynne juntou-se ao marido, o jornalista Bryan Hubbard, que trabalhou por um tempo no respeitável jornal britânico de economia Financial Times, para montarem uma empresa de comunicação para dar vazão ao fluxo inesgotável de novos conhecimentos que jorravam dessas fontes de vanguarda. Uma das primeiras iniciativas foi o jornal What Doctors Don´t Tell You (O Que Os Médicos Não Contam), existente até hoje, publicação mensal sobre medicina alternativa e complementar, com a participação de especialistas reconhecidos. O título do jornal foi também título de um dos livros de Lynne, cujo subtítulo é autoexplicativo: A Verdade Sobre Os Perigos da Medicina Moderna, uma obra de 1999.

Dessa plataforma, Lynne saltou para algo mais desafiador ainda, lançando em 2003 O Campo: Em Busca da Força Secreta do Universo, que tem edição publicada no Brasil. Trata-se da exploração dessa ideia da existência de um campo unificado de realidade, um campo que perpassa todo o universo, e que faz com que estejamos todos nós interconectados.   Ser humano com ser humano, nós todos com os animais e com todo os elementos da existência.

Em 2007, uma ousadia mais fantástica ainda. Lynne lança o livro – e seu projeto – The Intention Experiment (O Experimento da Intenção). A informação-matriz, aqui, tem a ver com a exploração da proposta, desenhada por algumas dessas abordagens de uma nova ciência, de que a intenção dirigida é fator preponderante na manifestação da realidade no mundo objetivo, tridimensional, em que vivemos.

Indo além, a jornalista transformada em pesquisadora passou a organizar experimentos, em parceria com cientistas, de aplicação de intenção em questões prosaicas na aparência, mas maravilhosas na essência.  Projeção de intenção mental para despoluir água contaminada, por exemplo. Os experimentos foram feitos com métodos científicos rigorosos.

Os resultados estimulantes a fizeram ousar muito mais a seguir, realizando experimentos de intenção projetada de paz em Sri Lanka, depois no Afeganistão e finalmente em Washington, a capital americana, que tem notórios problemas de violência urbana. O experimento dura vários dias ou semanas, dependendo do caso, com a participação de milhares de voluntários de dezenas de países, a intenção de cada um projetada mentalmente em direção à região geográfica específica escolhida, normalmente um bairro, uma área delimitada.

Tudo é monitorado e registrado cientificamente, usando-se métodos rigorosos de controle, às vezes sob a supervisão de um dos principais parceiros de Lynne, Gary Schwartz, diretor do Laboratório de Avanços em Consciência e Saúde, da Universidade do Arizona, ou por outros cientistas convidados de distintos países.  

Os resultados?

Sri Lanka, então em guerra civil, teve redução de 78% no número de vítima fatais do conflito, na região pesquisada, e 48% de redução no número de feridos. No Afeganistão, houve redução de 37% no número de civis mortos. Em Washington, o índice de atos criminosos violentos registrados pela polícia metropolitana, na área selecionada para o experimento, baixou 33%.

Continua parecendo estranho para você, leitor?

Mais recentemente, Lynne tem convidado todos os visitantes de seu site a se transformarem em participantes ativos de aplicações de intenções em saúde.  Pessoas com problemas como endometriose, fibrose, neuropatia e outros se apresentam para receber a projeção de intenção de cura. Toda semana tem um caso novo. Os resultados são apresentados depois, o participante podendo assim considerar sua contribuição efetiva para a melhoria de saúde, ganhando em troca, um sinal inequívoco de que o consciente coletivo também existe. 

Do inconsciente, já sabemos muito e basta.

Não sei o que você pensa agora, leitor. Do meu lado, penso que já é hora de questionarmos nossos preconceitos e fazermos nossos testes de São Tomé, ao alcance de um clique de computador.

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